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26o. Domingo do Tempo Comum (AnoC) PDF Imprimir E-mail
Por Pe. Nilton   
05 de outubro de 2007

26o. Domingo do Tempo Comum (AnoC)

 

 
Liturgia do XXVI Domingo do Tempo Comum C 2007
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XXVI Domingo do Tempo Comum C 2007

Monições para a Celebração

Entrada: Às voltas, de novo, com as questões da economia e do dinheiro. Um pobre chamado Lázaro e um rico que nem nome tem. Ambos chegaram ao fim da vida degradados: um pela miséria, outro pela riqueza. Mas nem Lázaro se salvou por não ter nada, nem o rico se condenou por ter muito. O problema do dinheiro e da riqueza é uma questão com raízes no coração do Homem. Deixemos examinar, sondar e perscrutar o nosso coração, pela luz da Palavra de Deus e julgar pelo seu amor. Invoquemos a misericórdia do Senhor.

Kyrie:

Senhor, que sendo rico vos fizestes pobre, para nos enriquecer com a vossa pobreza, Senhor, tende piedade de nós!

Cristo, único soberano, manso e humilde de coração, tende piedade de nós!

Senhor, Rei dos reis e senhor dos senhores, tende piedade de nós!

Prefácio e O.E.V/D, missal 1175

Pai-Nosso: Filhos do mesmo Pai, somos irmãos no mesmo amor. Neste espírito podemos rezar...

Rito da Paz: Não pode haver um abismo que nos separe. Mas uma ponte que nos une. É Cristo, nosso Paz. Saudai-vos na paz de Cristo...



Final: «Tu, homem de Deus, pratica a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão»...



Homilia no XXVI Domingo Comum C 2007

1. Isto é “um soco no estômago” do tal «homem rico, que se banqueteava esplendidamente e todos os dias»! Ele está agora “em chamas”, sem que ninguém mais lhe possa valer, tal o fosso que o separou toda a vida, de tudo e de todos. A língua dos mais requintados sabores e paladares paga agora, com uma sede insaciável, tributo aos desmandos de um egoísta inveterado.

2. Porém, a “Moral da história” não é o que nos parece, à primeira vista. Nem o rico se condenou, por ser rico. Nem o pobre se salvou, por ser pobre. Aliás, o Evangelho não dá sequer nome ao rico, nem mesmo fala da riqueza como defeito. Do outro lado, a única virtude conhecida do pobre é ser «Lázaro» e ter o nome, de “socorrido por Deus”. Algum moralista mais apressado podia tomar aqui como figura principal da parábola, a morte, a única capaz de mudar a nossa sorte. Nem pensar. Afinal, pela parábola, só os mortos é que não mudam! E só em vida se pode mudar. Muito menos, alguém julgue poder, a partir da parábola, medir a temperatura do inferno; para isso, basta conhecer o clima e o tormento da miséria à nossa porta.

3. Que ninguém se iluda então: esta parábola não nos pede resignação agora, perante a miséria do próximo, em nome de um prometido “euro milhões” no paraíso. Pelo contrário, há aqui um desafio à luta e indignação, porque afinal Deus vê o mundo, com os olhos do pobre Lázaro. Esta parábola quer sobretudo chegar à “casa paterna dos cinco irmãos do homem rico”, para os acordar, e a tempo, do naufrágio das suas vidas fechadas e apodrecidas, e convertê-los, enquanto é tempo, à proximidade do amor. Esta é, por isso, a «parábola do pobre rico e dos seus 5 irmãos»; cada um deles é a imagem viva do homem hipermoderno, um turbo-consumidor, sem tempos mortos! Os visados da parábola são, em primeiro lugar, «os cinco irmãos ainda vivos, que se portam como um «bando de voluptuosos». É a pensar no arrependimento urgente e premente de todos esses, que a parábola põem em cena os tormentos de «um rico desgraçado»!

4. Mas a parábola não corre apenas riscos de má interpretação. Ela pode até ser bem compreendida, mas ficar sem aplicação: Uns porque acham sempre que «o rico, mora ao lado» e não vêem por que mudar o olhar sobre os outros; outros, porque ao seu lado, - dizem - já não vêem pobre nenhum. Como vedes, é sempre fácil, descartar-se do problema da pobreza alheia. Estou mesmo a ouvir as desculpas dos maus pagadores: em nome da “macro-economia” e da “globalização”, dirão que este “fosso” entre pobres e ricos é já um abismo sem remédio… vai daí, - insistem - «nada há a fazer, nada está na nossa mão»…, quando muito, «os ricos que paguem a crise». Ou então, na versão mais popular, dirão outros: «eu não dou mais para esse peditório; esses pobres, precisam menos que eu». Outros, ainda, ficarão na ilusão de mudar e comandar o mundo, mas esquecem que um pequeno gesto de amor, se não muda o mundo todo, muda uma boa parte dele. E é por aí, pelo próximo mais próximo, pelo gesto mais escondido, que a caridade há-de começar.

5. (1ª hipótese) Caros amigos: estamos aqui reunidos «nesta casa paterna», num «banquete sagrado», como em todos os domingos. Ouvimos Abraão, «Moisés e os Profetas» e Jesus Cristo, Palavra de Deus. Não esperemos pela notícia da morte do vizinho, para saber que afinal há muito ele sofria de doença grave ou de solidão. Também não esperemos pela «aparição» de um morto famoso, para responder à necessidade do irmão, que mora por cima ou por baixo, ou ao lado do meu andar e até dorme no chão. Não esperemos pela notícia da televisão, para abrir os olhos à miséria e estender, sem se ver, a nossa mão. Se alguém quer um sinal de alarme, para acordar e ver “o abismo” onde está prestes a cair, não espere por nenhuma ressurreição. A resposta é clara: «têm Moisés e os profetas; que os oiçam».

5. (2ª hipótese). Podemos dizer que a Liturgia nos conduz hoje a alguns desafios pastorais, de sempre:

1º Valorizar continuamente a escuta e o anúncio da Palavra de Deus: é preciso ouvir a voz de Deus, para nos tornarmos capazes de ouvir o grito dos pobres. É igualmente preciso anunciar a Palavra, a todos, porque há mais miseráveis, entre os ricos, do que entre os pobres, tão grande é, por aí, o vazio de Deus. Vede que todos os santos, «obreiros da caridade» foram, ao mesmo tempo, grandes ouvintes e anunciadores da Palavra. Se é preciso dar Pão a quem tem fome, é preciso despertar a sede de Deus e da sua justiça a quem tem Pão!

2º Cada vez que celebramos a Eucaristia, façamos generosamente a nossa partilha, não apenas da fé e dos sentimentos, mas também dos nossos bens materiais ou do nosso dinheiro, por pouco que seja, para que a comunidade acuda, de maneira organizada, às necessidades dos pobres, que são tantas e tantos. Era urgente transformar este «enfado do peditório» numa partilha alegre, que a Liturgia chama «ofertório». Que a Eucaristia que celebramos abra os nossos olhos para o próximo e, deste modo, apareça e resplandeça no mundo, como “sacramento de caridade”. “O alimento da verdade” dá-nos nova força e coragem para trabalhar, sem descanso na edificação da civilização do amor!” (Sac. Carit.90).

Aqui estamos, à volta da mesa da Palavra e da Eucaristia, Pão partido e repartido para a vida do mundo. «Vemos, ouvimos e lemos», pedimos, damos, comungamos e agradecemos… não podemos ignorar!

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